
Felipe Giacomelli
Publicado em 15 de outubro de 2026 às 09:59h.
O Senado aprovou, por 75 votos a 1, a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que determina o fim da escala 6×1 em todo o país. A medida acaba com a rotina de seis dias consecutivos de trabalho para apenas um de descanso, garantindo a transição para a escala 5×2 e reduzindo a jornada semanal máxima de 44 para 40 horas, sem corte no salário.
A mudança deve beneficiar cerca de 26,8 milhões de trabalhadores com carteira assinada no Brasil, em setores como comércio, supermercados, restaurantes, serviços e teleatendimento.
A seguir, explicamos como a nova regra funciona, quando ela entra em vigor e quem fica de fora do texto aprovado.
A aplicação do fim da escala 6×1 não é imediata e segue um cronograma de transição após a promulgação pelo Congresso Nacional:
Esse intervalo foi escolhido para que as empresas ajustem seus quadros de funcionários, planejem escalas de revezamento e reorganizem suas operações sem afetar o atendimento ao público.
Como o texto aprovado pelo Senado foi o mesmo que já havia passado pela Câmara, ele segue direto para promulgação, sem necessidade de nova votação entre os deputados. Ainda não há uma data definida para a promulgação.
A PEC aprovada pelo Congresso altera a legislação trabalhista, aumentando o descanso semanal remunerado e restringindo o limite de horas trabalhadas na semana:
A proposta visa garantir mais tempo para descanso, saúde mental e convivência familiar, além de aumentar a eficiência e o bem-estar dos profissionais na rotina de trabalho.
No período de transição, a empresa deverá distribuir, ao longo da semana, as duas horas acima das oito normais de serviço. Se divididas igualmente, o empregado terá que trabalhar 8 horas e 24 minutos nos cinco dias na semana. Outras opções que podem acontecer são o empregado trabalhar nove horas por dia duas vezes por semana e oito horas nos demais ou trabalhar 8 horas e 30 minutos quatro dos cinco dias na semana.
Finalizada a fase de transição, todos os empregados devem trabalhar, no máximo, oito horas diárias e 40 horas semanais em 5 dias na semana. Para trabalhar mais horas, apenas mediante pagamento de hora-extra por parte da empresa.
Leia mais: Como funciona a escala de trabalho em diferentes países do mundo?
Nem todas as categorias trabalhistas serão afetadas pela aprovação do fim da escala 6×1:
Leia mais: Como funciona a semana de 4 dias no Brasil e quais empresas já adotaram o modelo
O texto aprovado também permite escalas diferentes da 5×2, incluindo a 6×1, mediante convenção ou acordo coletivo, desde que seja estabelecido regime compensatório.
Nesses casos, os trabalhadores precisam ser compensados no mesmo “mês-calendário”. Ou seja, um trabalhador pode fazer ainda a escala 6×1, desde que prevista em acordo coletivo. Assim, o dia trabalhado a mais terá que ser compensado com uma folga dentro do mesmo mês.
Leia mais: 5×2, 6×1, 12×36: como funciona a escala de trabalho e seus tipos no Brasil
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