
Egberto Santana
Publicado em 6 de fevereiro de 2026 às 15:51h.
Se você perguntar para alguém que tem 40 anos ou mais sobre qual é a importância de um diploma de curso superior, há uma boa chance de escutar que, na época dela, se formar na universidade era garantia de emprego e de sucesso profissional.
Afinal, era um momento em que o acesso ao ensino superior ainda era restrito, e apenas uma pequena parcela da população brasileira conseguia se formar.
Nos últimos anos, entretanto, com a expansão do ensino superior, da evolução tecnológica e das novas dinâmicas do mercado de trabalho, a relação entre formação acadêmica e empregabilidade mudou drasticamente. Embora o diploma de ensino superior ainda seja um grande diferencial, associado a melhores salários e maiores chances no mercado de trabalho, ele deixou de ser uma garantia.
Um levantamento recente, realizado pelo Na Prática mostrou que 58,33% dos universitários brasileiros acreditam que o diploma é “importante, mas precisa ser complementado com outras experiências”.
.
Esse dado revela que a geração atual enxerga a universidade como uma base teórica muito valiosa, mas insuficiente por si só para enfrentar os desafios reais das empresas. Muitos estudantes relatam que a formação acadêmica ainda carece de maior conexão com as práticas do mercado, o que os impulsiona a buscar capacitações extracurriculares como cursos, estágios e experiências práticas.
De acordo com o relatório Education at a Glance 2025, da OCDE, uma espécie de clube das nações mais ricas, o Brasil é um dos países onde o diploma universitário mais impacta a renda: quem conclui o ensino superior ganha, em média, 140% mais do que aqueles que possuem até o ensino médio. Essa diferença é significativamente maior do que a média de 54% observada nos demais países da organização.
Porém, apesar dessa vantagem econômica, a transformação do mercado de trabalho tem diminuído o peso exclusivo do certificado acadêmico. Há uma crescente valorização de competências práticas e específicas, como habilidades técnicas em tecnologia, capacidade de adaptação, comunicação e resolução de problemas, muitas vezes tão decisivas para oportunidades concretas quanto o nome da universidade no currículo.
A visão tradicional de carreira (em que a graduação define de forma rígida a trajetória profissional) vem sendo cada vez mais questionada por especialistas e pelo próprio mercado.
Em muitos setores, profissionais constroem caminhos bem-sucedidos a partir de formações diferentes daquelas que exercem no dia a dia ou desenvolvendo um repertório de habilidades que combina conhecimentos, experiências e competências para além do que se aprendeu na universidade.
Um exemplo frequentemente citado é o de Stewart Butterfield, cofundador do Slack, formado em filosofia e responsável por criar uma das principais ferramentas de comunicação corporativa do mundo. Casos como esse ajudam a evidenciar uma mudança nas empresas: habilidades como comunicação assertiva, domínio de tecnologia, inteligência emocional, autoliderança, (intra)empreendedorismo e resolução de problemas ganham espaço nas contratações, ao passo que ainda aparecem pouco — ou quase nada — na formação universitária tradicional, o que obriga os jovens a complementar sua formação.
Levantamentos de plataformas como o LinkedIn reforçam essa tendência e indicam que as competências mais requisitadas pelos empregadores combinam habilidades técnicas, ligadas à tecnologia e a dados, com competências comportamentais associadas à adaptabilidade, pensamento crítico e aprendizagem contínua.
Saiba também: 15 Habilidades em Alta no Brasil em 2025, segundo o Linkedin
O diploma continua sendo um elemento valioso no currículo, oferecendo base teórica, maior empregabilidade e vantagem salarial. Entretanto, ele não garante mais, por si só, um emprego ou sucesso profissional. A diferenciação no mercado atual está cada vez mais ligada à combinação entre formação formal, experiências práticas, aprendizado contínuo e desenvolvimento de habilidades relevantes para o contexto dinâmico do trabalho.
Leia mais: 6 áreas em alta para apostar em um curso profissionalizante e turbinar seu currículo em 2026